FAZENDA VIDA NOVA

 

Do encontro entre gente, idéias, o sertão e as cabras...

Em 1981, vivíamos em São Paulo - capital, e minha família adquiriu uma propriedade em Tucano - Bahia, em pleno semi-árido.  Era Faz. Vida Nova seu nome de batismo.  Após as primeiras férias escolares que passei no sertão, me apaixonei pelas coisas do nordeste: a música, histórias sobre Lampião, Antonio Conselheiro, casos de vaqueiros...   
Junto com a fazenda, adquirimos algumas cabras, bodes, ovelhas, criadas como todas as outras da região, em condições precárias. Intrigava-me o fato dessa atividade ser encarada como único meio de subsistência (sobrevivência?) e ao mesmo tempo representar toda carência e incerteza passadas nos contos, cantos e quadros, que retratam o sertão:  “Tanta seca tanta morte/nos caminhos do sertão/ a cara feia da fome/ a fome comendo a fome, a falta do que comer/ êta fim de mundo, desgraceira, perdição/ a imagem revelada pela televisão...” (Helio   Contreiras).
Comecei, assim, aos 13 anos, a ler tudo sobre caprinos e a visitar propriedades em São Paulo e Rio de Janeiro. Acreditava numa outra realidade: “Quero a vida feito a vida, vencendo a morte cruel. Vida aqui na terra e não no reino do céu...” (Hélio Contreiras).  No ano seguinte, 1982 a 1983, mudei para a fazenda e  importamos,  por  meio  da CAPRILEITE  de Minas  Gerais, um  bode  SAANEM,  o  “De  Gaulle”, e  duas  matrizes  prenhes P.O.I..  Melhoramos as instalações, investimos  em  tecnologia,  chegando  a  ter  500  animais cruzados dessa raça.  Havia, porém, um desafio - a criação  de  um  mercado  consumidor na região, capaz de viabilizar a  atividade.  A partir  de  então,  nunca  mais  nos  afastamos  da  caprinocultura.  

Em 1985, cursei a Escola Agrícola CETUR da UFRRJ -  período em  que  acompanhei o  nascimento  do  PRODECAPRI,  ao  estagiar na  GRANJA  CAPRICÓRNIO,  em Resende, Rio de Janeiro,  sob  a tutela  do saudoso Prof.  Humberto Bastos da Costa  Ferreira,  um  dos  colaboradores  do programa.  Vinte (20) anos antes, meu pai havia freqüentado o mesmo campus, embora em tempos mais turbulentos, onde o Regime Ditatorial de 1964 e o seu engajamento no Movimento Associativista do Vale do Itaguaí acabaram por interromper seu curso de Medicina Veterinária.

Em 1987, regressei à Vida Nova.  Fundamos a COOPERTUCANO e trabalhamos em alguns assentamentos (Fazendas Taboa e Serrinha entre outros).

De 1989 a 1995, vivi um tempo em Barreiras, oeste da Bahia, na Faz.  Sertânia, de nossa propriedade, juntamente com meu Pai, Waldemar Gertner, foi onde me casei com Manuela e implantamos uma área de fruticultura irrigada, dando início à nossa produção. Por um ano, nos fixamos em Brasília, comercializando as frutas, no entreposto do CEASA-DF. Nessa propriedade no oeste baiano, De 2003 a 2008 conduzimos um projeto de produção comercial de ovinos de corte estabilizado em 1.000 Matrizes.

Em 1997, estávamos de volta à Fazenda Vida Nova, onde nasceu nossa filha Heloisa.  Ali implantamos 25 hectares irrigados com poços tubulares, produzindo frutas e feno, e retomamos a criação de caprinos e ovinos.   Aprendemos, ao longo dessa história, a conviver com o semi-árido, de forma técnica, sustentável e economicamente viável.

Cursei e me formei, na primeira turma, de Medicina Veterinária, na UNIME - Faculdade Unime de Ciências Agrárias e da Saúde, em Lauro de Freitas-BA, entre 2002-2007.

Conjugamos toda experiência, contatos e amizades, adquiridos pelas andanças por esse Brasil, no meio rural e sempre ligados à produção de pequenos e grandes ruminantes, podendo oferecer hoje serviços técnicos veterinários em sanidade, nutrição e reprodução, consultoria, difusão tecnológica e viabilização de projetos agropecuários.  Atuamos no semi-árido baiano, junto a associações e cooperativas, atendendo pequenos, médios e grandes produtores, encurtando a distância entre a roça e a informação técnica, o insumo que o sertão mais necessita.

Na Fazenda Vida Nova, desde Julho de 2008, estamos implantando toda a infra-estrutura  para fazermos uso das Biotecnologias aplicadas a reprodução animal, com o intuito de criarmos e selecionarmos caprinos (Bôer e Anglo-Nubianas), ovinos (Dorper e Santa Inês) e bovinos (Nelore e Sinde) adaptados ao bioma do Semi-árido.

 

 

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